Sábado, 1 de Maio de 2010

Tás alto!

Se há frase que estou cansado de ouvir, essa frase é "Tás alto" ou alguma das suas variações: "Tás alto pá", "Cresceste tanto", "Tenho que me pôr de bicos dos pés para te cumprimentar", "Ainda me lembro quando eras pequenino", etc.

Sinceramente, não sei o que uma pessoa está à espera quando manda tamanho comentário ( ou, neste caso, comentário sobre tamanho ). Vem sempre depois da saudação inicial e deixa-me sempre de pé atrás!

- Bom dia! Estás mesmo alto rapaz!
- Ei, obrigado! Eu hoje de manhã bem notei uma diferença quando me vi ao espelho.

Que querem que eu responda? Obrigado? Eu não trabalhei para ser alto.

Já me passou pela cabeça fazer um comentário ao físico da outra pessoa, mas não acho que seria tão boa ideia assim:

- Bom dia! Estás mesmo alto rapaz! Andaste a pôr adubo nos pés?
- Sim, foi isso. Estás mesmo gordo! Engoliste algum elefante bebé?


O pior é que geralmente são pessoas que até me vêem com certa regularidade, mas não têm nada melhor para dizer:

- Bom dia! Estás mesmo alto rapaz!
- Pois é. Cresci bastante nestas duas últimas semanas.

É um comentário não muito inteligente, e que me diz muito sobre a conversa que se segue.

E não, não jogo basketball em nenhuma equipa. Porque o basketball não é obrigatório para aqueles que meçam mais de 1.80m, sabiam? Que coisa espantosa!

Eu nem sou muito alto e já ouço isto pelo menos uma vez a cada 3 dias. Imagino as pessoas que têm mais de dois metros.

E eu sei que eventualmente, quando tiver filhos, os comentários vão passar para eles. "O teu puto está a crescer tanto! O meu Pedrinho já tem 61 centímetros e três quintos! Já é um homem!"

Ser alto nem tem assim tantas vantagens...

Sim, podemos chegar ao jarro de biscoitos na gaveta mais alta.
Sim, podemos assistir a concertos sem termos que subir aos ombros de alguém.


Esta rapariga também nunca se terá de preocupar em esmurrar os joelhos


Mas não há nada mais relevante!
Não podemos ser pilotos na força aérea!
Renault 5 não é definitivamente um carro para nós.
Quando andamos bêbados na discoteca, não temos desculpa para andar a bater com a cara nos órgãos mamários que por ali vão passando.
Andamos à cabeçada em tudo o que são armários ou superfícies médias.
Ficamos de pés de fora na maior parte das camas.

Por isso tenham um pouco mais de respeito por esta condição. Substituam o "Tás alto" por "Como vai a vida?" ou assim, e mantenham uma boa primeira impressão.

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