Sábado, 30 de Outubro de 2010

Sem imaginação para um título

Nós vivemos em sociedade, agimos e reagimos aos outros mas em toda e qualquer circunstância, estamos sozinhos. Os condenados sobem o monte juntos mas são crucificados um a um. Abraçados, os amantes tentam desesperadamente fundir os seus sentimentos num só, em vão.

Devido à sua natureza, todo o espírito está condenado a sofrer, sentir e experienciar em solidão. Sensações, sentimentos e pensamentos introspectivos são privados e, excepto através de símbolos, como a linguagem falada, incomunicáveis. Podemos transmitir informação sobre as nossas experiências, mas nunca as experiências em si.

De nações a famílias, qualquer grupo humano é uma sociedade separada em ilhas. Estas ilhas são suficientemente parecidas umas com as outras de modo a permitir uma compreensão ou até uma empatia mútua. Lembrando-se das nossas próprias experiências e humilhações, é-nos possível imaginar o que alguém noutra ilha está a passar.

Mas em certos aspectos, a comunicação entre ilhas é incompleta ou mesmo inexistente. A mente é o seu próprio lugar, e os lugares habitados pelos malucos ou génios são tão diferentes dos lugares habitados pelo homem comum, que não há nenhuma memória ou experiência que sirva de base para a sua compreensão.

Palavras saem das nossas bocas, mas falham em mostrar. As coisas e eventos a que esses símbolos se associam estão dependentes aos reinos de existência exclusivos de cada um.

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